
Aqui há uns dias, o vosso tão ou não amado bloguista esteve envolvido numa conversa que visava sobretudo um esclarecimento a partir do qual se construiria um tronco comum dos princípios fundamentais da Igreja Católica.
E a discussão não podia ter sido mais acesa (poder até podia, mas não teria sido saudável); entre acusações de homícidio em larga escala a Jesus Cristo (que também é Deus e transporta o emplastro Espírito Santo); que os católicos apenas fazem o que vem na Bíblia, etc. etc.. Enfim, um sem-número de propostas de clarificação da principal dúvida que pairava naquela bela tarde de Domingo. E como gostava de reacender essa discussão aqui no blog, com outros intervenientes (os que já o tinham feito não são remetidos para a abstenção) que queiram empunhar os seus argumentos sem receio das respostas e comentários que daí resultarem, coloco a seguinte pergunta:
o que é na verdade ser-se católico?Realmente, a resposta pode parecer-nos óbvia, quando comparada com uma pergunta do tipo "qual a raiz quadrada de 198373087393?". Mas de facto tal não acontece. Não acontece porque, como em tudo, há os prós e contras de se ser algo, e ninguém é igual a outrém. O que significa que, lá por haver um católico que defenda o extermínio dos homossexuais, isso não quer dizer que outro católico não aceite inclusivamente o casamento entre eles. Mas excluindo por enquanto os exemplos, vamos então tentar desde já elaborar uma definiçãozinha do que é ser-se católico:
- Acreditar numa entidade superior que governa todos os seres vivos e o mundo (Deus);
- Acreditar na existência de Jesus Cristo (e na Santíssima Trindade, com o Pai e o Espírito Santo);
- Reger-se pelos ensinamentos da Bíblia (os Dez Mandamentos).
Ora, penso que para o primeiro ponto, é simples. Apenas se acredita ou não. É aquilo a que se chama fé, a tal
irracionalidade tão mediatizada e nunca comprovada ou irrefutada. Em relação ao segundo ponto, parece que tudo se apresenta bastante claro e penso que é indiscutível que Jesus Cristo existiu de facto. Em relação ao Espírito Santo, talvez fosse uma pomba domesticada que por lá andasse, mas aqui a conotação é a mesma em relação ao simbolismo de Deus Pai. O problema chega, realmente, no terceiro ponto.
E a minha questão é, novamente, simplicíssima: serão os ensinamentos da Bíblia e os dez mandamentos que fazem duma pessoa uma boa pessoa e um bom católico, ou são os valores e ideiais pelos quais uma pessoa se rege a partir da educação que recebe dos pais que fazem com que esta seja um bom católico, ou simplesmente católico (visto muitos desses valores coincidirem com os seus)?
E a provável resposta para esta pergunta seria:
Uma pessoa não nasce ensinada. E desde cedo recebe dos seus pais (ou outros encarregados de educação) os valores que estes pretenderam que fossem os seus. Ora, essa educação de cariz religioso pode ser mais ou menos radical e/ou fanática, pelo que isso definirá, na minha opinião, o que é ser-se católico e, acima de tudo, um bom católico.
Um bom católico é aquele que, mesmo seguindo os princípios da Bíblia, adequa os seus comportamentos e atitudes de acordo com a vida quotidiana. Como será de resto óbvio, penso que ninguém hoje em dia, numa sociedade dita ocidentalizada e civilizada se lembrará de não se galvanizar perante a mulher de um amigo apenas porque a Bíblia, e mais precisamente os Dez Mandamentos assim o proíbem através do
Não cobiçarás a mulher alheia. E eu talvez até esteja a ser bastante condescendente e iludido, pois o que não falta por aí é fanatismo religioso. Mas, já que gostam de separar tanto o trigo do joio, o bom do mau, o bonito do feio, então direi que aí reside a diferença essencial entre um bom católico e um mau católico.
Um bom católico aposta no bom-senso, guia-se por ele, não se deixando iludir pela fé que ao mesmo tempo o mantém num homem são (socialmente); um bom católico sabe distinguir os princípios da Bíblia que ele considera primários e essenciais à sua vida e consegue também reconhecer que muitas vezes a Igreja Católica não representa o bom católico.
Existem ainda as boas pessoas, que são aquelas que, mesmo não sendo católicas, conseguem fazer-nos pensar que o bem e o mal não residem exclusivamente no domínio religioso.
Depois existem os maus católicos, que ainda são muitos. São eles os que queimam preservativos, os que apoiam o regime da Inquisição, os que são contra toda e qualquer forma de aborto, que defendem a erradicação dos homossexuais, por fim, os que não vêem outra coisa à frente sem ser religião.
Assim sendo, com que ficamos? Apenas com bons católicos? Era bom, era...Mas por enquanto ainda vamos ter que ir encarando uns que ainda estão na Idade da Pedra (em relação a atirar as pedras...).
Cumprimentos, Simão Martins